Pioneira da Borracha qualidade e tradição




Quando ele chegou, Brasília era projeto. Em setembro, completa 60 anos em território candango, para onde veio com a mulher construir a própria história de empreendedorismo e resistência. Shoppings, grandes centros comerciais e feiras podem ter quebrado o encanto de uma avenida que nasceu para ser o lugar principal do comércio na capital: a W3. Mas a modernidade não conseguiu abalar a estrutura do empresário Hely Walter Couto, o dono da Pioneira da Borracha. Aos 90 anos, trabalha de segunda a sexta-feira. Faz questão de estar diariamente na loja da 511 Sul. Ele e seu comércio tornaram-se um símbolo de luta pela revitalização da avenida. Há mais de cinco décadas, o mineiro do interior de São Gotardo tenta resgatar o que, um dia, foi a W3 para Brasília.
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Aos 90 anos de idade e 60 de Brasília, o empresário não perde um dia de trabalho (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
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Painel de encontros históricos: de JK a Brizola, de Geisel a Fafá de Belém (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
A história com a W3 já dura 58 anos: o tempo em que a Pioneira da Borracha existe. O empresário começou o negócio em uma estrutura de madeira no Núcleo Bandeirante. Quase dois anos depois, mudou-se para a 511 Sul. Os investimentos cresceram e Hely abriu mais oito lojas em Brasília, como a instalada na Asa Norte e em Taguatinga. No ofício diário presenciou empreendimentos de sucesso fecharem as portas. Hoje, segundo ele, somam-se 240 lojas sem funcionamento na W3 Sul. “Com o surgimento de shoppings e regiões administrativas, muitos empresários abandonaram a W3. A falta de estacionamento, com o fechamento do canteiro central por governos anteriores, fez com que as lojas perdessem clientes. Hoje a avenida está completamente abandonada, deixando de gerar empregos e impostos”, ressalta.